Armazenamento de energia aplicado ao agronegócio: palestra na Intersolar 2019

Armazenamento de energia aplicado ao agronegócio: palestra na Intersolar 2019

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Outra grande experiência que tive na Intersolar South America 2019 foi a participação no congresso, como um dos palestrantes do painel “Changemakers em ação: histórias de sucesso com geração distribuída solar fotovoltaica”. Minha fala foi sobre “Armazenamento de energia como alternativa para atividades do agronegócio”, a partir do case de um de nossos clientes.

O case é uma das primeiras soluções híbridas do Brasil, ou seja, que combina a geração distribuída fotovoltaica com o armazenamento de energia. Pelo seu caráter de inovação, a apresentação do caso foi muito bem recebida pelos congressistas, que trouxeram várias dúvidas sobre o projeto e também visualizaram no armazenamento novas oportunidades de negócio.

Saiba mais sobre o case a seguir!

Panorama do armazenamento de energia no Brasil

O armazenamento de energia é uma solução muito recente no Brasil. A evolução da tecnologia e a redução dos preços estão começando a fazer sentido no país, devido à alta difusão da energia solar distribuída.

O armazenamento possibilita obter o máximo de eficiência do sistema fotovoltaico porque, com ele, conseguimos lidar com dois dos principais problemas da geração distribuída:

  1. A intermitência da produção de energia;
  2. E a falta de regulação do despacho.

Veja, a seguir, como a combinação dessas modalidades possibilitou ao nosso cliente reduzir os gastos e aumentar a produtividade!

O armazenamento de energia aplicado ao meio rural: case de sucesso em produção leiteira

Neste case em específico, o principal objetivo foi utilizar o sistema de armazenamento como backup e também como regulador da qualidade da energia.

O cliente é um agronegócio voltado à atividade leiteira. Por estar localizado na zona rural, em uma comunidade distante, a constante falta de energia prejudicava significativamente a sua atividade.

Hoje em dia, para realizar a atividade leiteira, o uso da energia elétrica é indispensável. Ela é necessária:

  • no processo de ordenha mecanizada;
  • no armazenamento e resfriamento do leite;
  • na climatização do ambiente;
  • e no escritório e iluminação em geral.

Logo, a falta de energia causa prejuízos substanciais na produção e no condicionamento do leite, além de acarretar problemas à saúde dos animais.

Este cliente tinha um consumo de 68868 kWh por ano, o que representava um gasto de aproximadamente R$ 31.000,00 anuais com energia. No entanto, esta não era a sua maior “dor”, e sim os prejuízos decorrentes das quedas constantes de energia.

Sendo assim, por meio de pesquisas sobre a sua produção e as faltas de energia da localidade (a partir de dados fornecidos pela Aneel), fizemos um levantamento das perdas ao longo do ano de 2018 para justificar o investimento em um sistema de armazenamento, conforme demonstra o gráfico abaixo.

Coletando os dados de falta de energia da localidade, verificamos que, somente no ano de 2018, o cliente passou por 31 faltas de energia, com uma duração total de 45h.

A maioria das faltas não foi longa, mas, considerando que as maiores perdas do processo são com relação ao resfriamento, que não pode exceder 2h sem energia, tivemos 7 faltas que causaram prejuízos significativos.

Além disso, também houve faltas nos horários da ordenha, que impossibilitam a sua execução e podem causar doenças nos animais.

Os ganhos econômicos com o armazenamento são muito significativos neste caso, principalmente porque a atividade é muito sensível à falta de energia. Somente em 2018, os prejuízos para o agricultor foram maiores do que o valor que ele efetivamente pagou pelo fornecimento da distribuidora.

O projeto de armazenamento combinado com o sistema fotovoltaico proporcionou, neste caso, uma economia de mais de R$ 70.000,00 anuais e um payback aproximado de 4 anos, o que nos dá uma solução com taxa de retorno superior a 3% ao mês.

Outro aspecto relevante para a análise é a questão da qualidade de energia. A distribuição estava sendo comprometida principalmente nos horários de demanda elétrica da instalação, o que acarretava em prejuízos na ordenha e na queima constante de equipamentos. Esse prejuízo não foi computado na análise, mas é um ponto crítico do projeto.

Consideramos este case um de nossos maiores sucessos. Ele apresenta uma visão inovadora da geração distribuída, desta vez combinada com sistema de armazenamento de energia.

Particularmente, aposto muito nesta tecnologia. Acredito que, em breve, teremos preços mais competitivos, e as eventuais mudanças na regulamentação acelerarão o uso de sistemas acumuladores para a regulagem do despacho e para a diminuição da dependência da rede das concessionárias.

Então, o que achou da solução e do case? Comente aqui embaixo e me conte!