Como funcionam os aumentos da conta de luz?

Como funcionam os aumentos da conta de luz?

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Uma das maiores conquistas da história é a eletricidade. Chegar em casa e acender a luz pode parecer uma tarefa simples, mas por trás há um complexo processo de geração, transmissão e distribuição de energia. Tudo isso impacta no custo e muitas vezes gera o aumento na conta de luz.

O Brasil tem uma extensão enorme e manter um sistema interligado nacional em toda essa dimensão é ainda mais complicado. Chuvas inconstantes e períodos de seca acabam por produzir diminuições bruscas no volume da água dos reservatórios, fazendo com que as distribuidoras e o governo mudem planejamentos no abastecimento de energia elétrica para conseguir adaptar à realidade.

Que a diminuição de água nos reservatórios sobe o valor da energia isso todo mundo já sabe, a questão é: como isso ocorre? É possível evitar? Acompanhe este post e descubra como reduzir os impactos do aumento da conta de luz e entenda de onde vem.

Como funciona o sistema de distribuição de energia no Brasil?

A rede de energia elétrica no Brasil é um sistema integrado formado pelo tripé de produção, transmissão e aproveitamento pelo consumidor. O sistema interligado nacional (SIN), conforme regulamentação da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), é um conjunto de instalações que produzem energia elétrica, possibilitando o abastecimento de todo o país.

Todas as regiões do país são interligadas, formando um parque industrial de energia elétrica gigante, por isso, o problema identificado em uma única usina poderá afetar toda a distribuição de energia. Da mesma forma, uma usina em pleno funcionamento pode suprir a energia de responsabilidade da que foi afetada, independentemente da localidade física em que está e para onde gerará energia.

O Brasil é um dos poucos países do mundo que tem grande dimensão a conseguir conectar todo seu território. Segundo a ANEEL, o SIN atende 98% do mercado de energia elétrica brasileiro. Antigamente, a Eletrobrás fazia tudo, ou seja, gerava, transmitia e passava para as distribuidoras. Estas, em sua maioria, eram próprias da Eletrobrás.

Hoje, há um seguimento de comercialização e de transmissão de energia, regulamentado pela ANEEL. As principais fornecedoras são empresas privadas, o restante fica por conta das públicas.

Quais são as maiores fontes de energia do Brasil e como elas funcionam?

A geração de energia elétrica ocorre nas chamadas estações, que pode ser uma hidrelétrica, termoelétrica, eólica ou fotovoltaica. Conforme confirmam os dados do governo federal, as usinas hidrelétricas, que usam a força da água, são responsáveis por mais de 70% da fonte de energia produzida no Brasil.

Os longos períodos de seca acabam por gerar custos altíssimos para a população. Quando as principais usinas hidrelétricas estão em situação crítica, com as represas vazias, a geração de energia diminui. A solução encontrada para compor a demanda é comprar a energia produzida pelas termelétricas, que usam calor para produzir, principalmente da queima do carvão, o que torna sua energia nada sustentável, sendo considerada “suja” e com altamente cara.

Outras fontes de energia do Brasil, e que estão em potencial expansão, são as renováveis. Os parques eólicos transformam o vento em energia útil e já está sendo usada em diversos Estados brasileiros.

A energia fotovoltaica é a que está em maior crescimento. Podendo ser objeto de menores ou maiores investimentos, a depender da quantidade demandada. É possível usar do sol para ter energia elétrica em casa e nas empresas, diminuindo ou, até mesmo, acabando com a conta de luz.

Além disso, o mercado de trabalho nessa área também vem aumentando, pois, além dos particulares, o governo já está aplicando em sistemas solares como alternativa para as usinas tradicionais e usando a energia fotovoltaica em prédios.

Por que ocorrem os aumentos na conta de luz?

O aumento na conta de luz é um impacto para os brasileiros, que sempre têm que pagar altos reajustes. Essas mudanças bruscas são inesperadas e costumam fazer um rombo no orçamento e desestruturar o planejamento financeiro da casa ou da empresa.

Ocorre que é possível sentir menos os efeitos do aumento da conta de luz e antecipar os reajustes para não ser pego de surpresa.

Reajuste anual

O reajuste é autorizado pela ANEEL e, conforme disposto em contrato, pode ocorrer uma vez por ano, com data própria para cada distribuidora. Essa revisão tem o intuito de adequar os gastos da concessionária de energia, que tiveram seus custos aumentados com tributação, investimentos e compra de eletricidade. Isso é pago pelo consumidor final.

Uma alternativa para diminuição no reajuste anual pago pelos usuários seria o investimento em fontes renováveis de energia.

Bandeiras tarifárias

Com o objetivo de dar maior clareza para os usuários que arcam com os custos das variações no volume das represas, que dependem das chuvas, o governo criou as chamadas bandeiras tarifárias, que são identificadas por cores e demonstram a situação em que estão as usinas hidrelétricas do país.

A bandeira usada para calcular o valor da energia no momento é informada na conta de luz. Desde janeiro de 2015, usamos este sistema. Processa-se assim:

  • bandeira verde: dá-se nas estações de chuva, quando os reservatórios estão com alto volume e as hidrelétricas funcionando com toda a sua capacidade para geração de energia;
  • bandeira amarela: acontece quando a demanda por energia é maior do que a capacidade de geração das hidrelétricas. Segundo a ANEEL, “a tarifa sofre acréscimo de R$ 0,010 para cada quilowatt-hora (kWh) consumidos”;
  • bandeira vermelha: é a que gera o maior aumento na conta de luz do consumidor. Há dois tipos de estágios — o primeiro aumenta R$ 0,030 para cada kWh gasto. Já o segundo acresce R$ 0,050 para cada kWh.

Revisões tarifárias

Há um órgão regulador que calcula a revisão tarifária. Em regra, ocorre de quatro em quatro anos. Ela tem o intuito de corrigir as tarifas previstas no contrato das concessionárias de eletricidade para cada Estado da federação, ou seja, cada distribuidora terá suas tarifas especificamente atualizadas.

Essa tarifa garante às distribuidoras não terem suas receitas prejudicadas pelas despesas operacionais. O calendário das revisões está disponível.

Todo esse cenário afeta consideravelmente o orçamento do consumidor, pois o aumento da conta de luz é sempre a primeira alternativa. Os altos e baixos na produção de energia elétrica fazem com que as pessoas busquem alternativas para não ficarem reféns, optando, até mesmo, por produzir sua própria energia em casa.

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