Debatendo o futuro das energias renováveis: como foi o 2º Fórum de Geração Distribuída da Região Sudeste

Debatendo o futuro das energias renováveis: como foi o 2º Fórum de Geração Distribuída da Região Sudeste

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Mais um grande evento do setor de energias renováveis ocorreu na última semana: o 2º Fórum de Geração Distribuída da Região Sudeste (GD Sudeste), realizado em Belo Horizonte (MG). Foram dois dias (20 e 21 de fevereiro) de palestras e muito networking. Saiba neste texto quais os principais assuntos debatidos no encontro.

As mudanças previstas na Resolução 482 da ANEEL

Uma das temáticas que mais circulou nos corredores e auditórios do evento foi a mudança no sistema de compensação de energia prevista na RES. 482 da ANEEL, que, caso aprovada, pode gerar retrocessos no mercado de geração distribuída. Nesse sentido, importantes contribuições estão surgindo para desmistificar o impacto negativo da geração distribuída para os consumidores. Na verdade, a própria análise realizada pela ANEEL indica que não há o que temer, especialmente pela simultaneidade da geração fotovoltaica com a curva de carga de ponta do sistema elétrico. Resta-nos aguardar os desdobramentos deste impasse…

A qualidade dos projetos de energia fotovoltaica

No Fórum, também se refletiu bastante sobre a qualidade dos projetos e soluções. Esse assunto é recorrente em todos os encontros do setor, porque o número de acidentes e problemas envolvendo sistemas fotovoltaicos vem crescendo cada vez mais. A escalabilidade das vendas acaba difundindo de maneira desorganizada a geração de energia solar fotovoltaica, e o cuidado com os projetos e comissionamentos de obras acaba sendo suprimido pelas demandas de instalação. Com isso, temos péssimos níveis de conexão com as distribuidoras: somente 37% dos sistemas vendidos são efetivamente ligados. Este tem sido um dos principais desafios para quem quer empreender em energia solar em 2019.

Normalmente, o setor empurra a responsabilidade para as distribuidoras. Mas será que nós estamos fazendo a coisa certa? Nesses casos, a mea culpa deve ser feita: vejo muitas promessas de “conexões relâmpagos”, projetos remotos com conexões de 60 dias no mercado… Isto, por acaso, é problema das distribuidoras? Clientes com carga declarada de 30kW e sistema fotovoltaico com inversor de potência de 50kW, será que vai dar certo? Precisamos, sim, investir em conhecimento e preparação para fazer o setor crescer de maneira sustentável, ao invés de culpabilizar apenas as concessionárias de energia. E os clientes precisam investigar previamente a empresa que contratarão para instalar o seu sistema fotovoltaico, optando por profissionais confiáveis e com experiência e, assim, evitando possíveis riscos. Este aspecto é uma preocupação e deve ser sempre tratado como prioridade.

O que esperar

Mas nem tudo foram problemas: também foram apresentadas soluções – tanto para as empresas como para os consumidores. O evento foi marcado pela apresentação do projeto pioneiro da Companhia Energética de Minas Gerais (CEMIG) para armazenamento de energia (energy storage), assunto que foi muito comentado no fórum. Há a tendência de uma diminuição considerável dos valores das baterias nos próximos anos, aplicações que vão começar a refletir no mercado brasileiro em breve.

Chamou a atenção também o estudo da Taymos, que revelou 5 novos modelos de negócios relacionados ao armazenamento de energia. Impressiona que projetos que visam eliminar o uso da rede na ponta, tanto para consumidores comerciais como para industriais, já começam a ter viabilidade em alguns locais do país. Além disso, com as mudanças previstas na RES. 482, as baterias podem ser uma maneira de maximizar os ganhos e diminuir o impacto de uma mudança no sistema de compensação. Nesse ponto, acredito que os sistemas de armazenamento podem complementar a geração distribuída e efetivamente trazer benefícios sistêmicos para a operação das distribuidoras através da gestão do despacho, especialmente em usinas remotas.

Por estes e todos os outros debates realizados no Fórum que nós, da HCC, julgamos muito importante participar dos eventos do ramo: a base de qualidade de qualquer setor só concretiza-se através de conhecimento e troca de experiências. Você não acha? 😉