Entenda o impacto do Ex-Tarifário no mercado da GD

HCC Energia Solar - EX-TARIFARIO

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Uma notícia relacionada ao setor solar divulgada em todos os meios de comunicação trouxe otimismo e uma euforia desproporcional no mercado. Sim, estou falando da liberação do Ex-Tarifário para alguns produtos da cadeia fotovoltaica. O que era para ser um diferencial importante nos próximos meses, acaba travando o mercado em um momento em que estamos a sombra de um acréscimo importante no preço dos módulos fotovoltaicos, em função dos impactos da explosão de uma das principais fábricas de silício policristalino do mundo e também um aumento significativo no consumo chinês de Geração Distribuída.

O Ex-Tarifário é um benefício da isenção dos custos da importação, concedidos para atrair investimentos e tecnologia de ponta para o Brasil, e cabe ao Ministério da Economia conceder esse benefício ou não. No caso dos equipamentos fotovoltaicos, tivemos os pedidos de diversos fabricantes aprovados nas resoluções 69 e 70 publicadas pela CAMEX (Câmara de Comércio Exterior), que foram mais de 110 itens entre módulos solares, inversores e trackers. É importante salientar que dentro dessa gama de produtos apenas 10% usualmente são utilizados em nossos projetos.

Se olharmos com atenção é possível visualizar em um futuro uma diminuição dos preços de 6 a 8% nos módulos fotovoltaicos, mas por que no futuro? Atualmente, a maioria dos módulos circulando no mercado possuem compatíveis nacionais, portanto, não estão contemplados nas isenções. Além disso, os benefícios começaram a ser concedidos a partir de agosto, ou seja, considerando o movimento de uma importação de aproximadamente 90 dias, teremos isso chegando ao consumidor final no final de 2020. Outro ponto que pode afetar muito ainda o preço dos módulos é a incerteza cambial, pois, hoje o valor do dólar está superior a R$5,00 o que afeta ainda mais a competitividade do módulo importado.

Avaliando sob a ótica de preços, existe um outro fator muito mais preocupante no horizonte fotovoltaico do que propriamente o benefício do Ex- tarifário. Ocorrerá um aumento no mercado internacional do preço dos módulos no segundo semestre, esse efeito praticamente anula alguma vantagem para o consumidor final na ponta ainda em 2020. A minha maior aposta para alguma redução no CAPEX dos investimentos está associada a tecnologia dos novos módulos e a geração de mais energia por m² de módulo, isso sem dúvida será mais determinante para uma potencial redução a longo prazo da solução como um todo.

Outro ponto ainda muito discutido, é sob a ótica da indústria nacional que vê crescer ainda mais a disparidade de preço entre o módulo importado e o nacional, tornando cada vez mais árdua a sua expansão aqui no Brasil, o principal ponto de contradição da cadeia nacional é que o Ex-Tarifário foi concedido à módulos com desempenho inferior aos produzidos nacionalmente, o que por finalidade não teria sentido.

Consultei vários técnicos e especialistas do mercado para elaborar esse texto, muitos preferiram não ser citados em função da polêmica que o assunto trouxe ao mercado, mas, todos foram unânimes em citar que a divulgação da notícia foi muito eloquente e que o real benefício praticamente não será sentido nos próximos 06 meses, essa percepção de cautela parece ser a melhor opção em tal situação. O preço dos equipamentos continua estável por mais de 18 meses, mesmo com as oscilações do dólar, estamos variando sempre dentro de um patamar aceitável. No final do ano passado tivemos condições mais atrativas, mas, que no decorrer do ano de 2020 não conseguiram se sustentar pela forte pressão cambial.

Em 2021 com uma situação normalizada no preço do módulo fotovoltaico e com o ajuste da cadeia de distribuidores poderemos verificar uma melhora no preço médio dos projetos no mercado solar brasileiro de Geração Distribuída.

É evidente que a longo prazo, principalmente no próximo ano, esse benefício trará uma expansão e uma difusão da energia solar, gerando empregos e desenvolvimento. Minha opinião é que o Ex-Tarifário trará competitividade para os projetos fotovoltaicos, com alguns ganhos, mas, nada que seja relevante para um aguardo de 6 meses de um cliente que está interessado instalar o sistema de energia solar hoje. Certamente, as incertezas dos próximos ciclos não irão cobrir uma possível redução no investimento no futuro, além disso, a energia continuará aumentando, quer seja pela conta COVID-19 ou pela revisão das tarifas das distribuidoras.