Guia completo sobre autoconsumo remoto

Guia completo sobre autoconsumo remoto

Tempo de leitura: 

14 minutos

No Brasil, conviver com os constantes aumentos no custo da conta de luz não é nada fácil. Os impostos que pagamos para utilizar esse serviço significam quase a metade do valor da fatura.

Nesse sentido, ter uma noção de quais são os aparelhos e equipamentos que menos consomem energia pode ajudar na diminuição dos gastos com eletricidade. Mas, se você tem mais de um imóvel, existe uma alternativa para diminuir essa despesa: o autoconsumo remoto.

Com ele, é possível reduzir o valor da conta de luz da sua casa ou empresa e, além disso, contribuir para a preservação do meio ambiente por meio da utilização de um tipo de energia limpa e renovável.

Quer saber mais sobre como funciona o autoconsumo remoto? Confira este guia especial sobre o assunto que preparamos para você. Boa leitura!

Entenda o que é o autoconsumo remoto

O autoconsumo remoto permite que um imóvel que produz energia solar, como uma residência ou uma empresa, possa utilizar o excedente em outras faturas de luz. Para isso, elas devem ter a mesma titularidade e estar localizadas na mesma área distribuidora.

Além disso, esse tipo de energia solar possibilita que os painéis fotovoltaicos sejam colocados em um imóvel do mesmo proprietário para que a energia seja consumida em outro lugar. Os locais que têm geração de energia solar podem produzir eletricidade suficiente para abastecer todo ou apenas uma parte do consumo de luz. Para tanto, as placas precisam estar conectadas no sistema on-grid.

Quando a energia gerada pelos painéis solares não atinge a quantidade ideal para suprir as necessidades de consumo, o imóvel passa a utilizar a energia fornecida pela distribuidora. No entanto, se houver energia excedente, são criados créditos que podem ser transferidos para a rede, podendo ser consumidos depois ou em outro imóvel. Para que esse processo seja possível, o sistema fotovoltaico precisa estar registrado junto à distribuidora.

Como durante a noite não há geração de eletricidade pelo sistema solar, os créditos podem ser utilizados também nesse período. Vale ressaltar que o excedente de energia só é válido como crédito durante 60 meses e expira após esse prazo. Além disso, apenas os créditos utilizados em um imóvel diferente de onde foram gerados são chamados de autoconsumo remoto.

A possibilidade de gerar a própria energia a partir de fontes renováveis foi assegurada pela Resolução Normativa nº 482/2012 da Aneel, a Agência Nacional de Energia Elétrica.

Funcionamento do faturamento do autoconsumo remoto

Toda unidade consumidora é obrigada a pagar uma taxa mínima de energia fornecida pela concessionária, pois o imóvel está conectado à rede. Essa taxa é chamada de custo de disponibilidade, e o seu valor varia de acordo com a ligação do imóvel com a rede fornecedora. As ligações trifásicas têm consumo mínimo de 100 kWh por mês, já as ligações bifásicas ou monofásicas precisam adquirir 50 kWh e 30 kWh todo mês, respectivamente.

Dessa forma, a propriedade que tem sistema fotovoltaico tem preferência na compensação de consumo. Isso quer dizer que apenas a energia que exceder esse consumo pode ser transferida aos outros imóveis. No entanto, é preciso definir qual será a porcentagem de créditos solares recebida por cada unidade.

Por esse motivo, o local de instalação do sistema solar sempre vai pagar pelo consumo mínimo de energia, desde que ele não exceda a capacidade de geração. Assim, o consumo líquido será zerado em todas as faturas futuras. Por outro lado, se os outros imóveis que usam o excedente não receberem créditos suficientes para pagar tudo o que consumirem, eles deverão comprar o que faltou.

A definição das unidades consumidoras que vão receber créditos solares deve ser feita na assinatura do contrato de prestação de serviço da distribuidora. A porcentagem estabelecida pode ser alterada a qualquer momento pelo titular, e o prazo para essa mudança entrar em vigor é de até dois meses.

Regras para a utilização do autoconsumo remoto

Uma das regras do autoconsumo remoto se refere à titularidade da conta de luz. Os imóveis cadastrados para receber os créditos solares precisam ter sua fatura de energia com a mesma titularidade. Dessa maneira, você pode produzir energia solar na matriz da sua empresa e utilizar o excedente nas filiais, desde que a fatura esteja cadastrada no mesmo CNPJ.

Contudo, utilizar os créditos solares produzidos no sistema solar da sua empresa na sua residência não é possível, pois a energia gerada em um local com titularidade cadastrada em um CNPJ não pode ser transferida para uma unidade consumidora com a fatura cadastrada em um CPF.

Uma das possibilidades para resolver esse impasse é solicitar a alteração de titularidade de umas das unidades consumidoras junto à concessionária de energia. Assim, torna-se possível realizar o autoconsumo remoto. Não se esqueça de que todos os imóveis devem ser atendidos pela mesma distribuidora de luz.

Ainda não entendeu muito bem o que é, como funciona e quais as normas para o autoconsumo remoto? No vídeo abaixo, você encontra um resumo!

Fique por dentro das diferenças entre autoconsumo remoto, geração compartilhada e geração em condomínio

Como você já viu, o autoconsumo remoto permite a utilização do excedente de energia produzida por meio de painéis solares em outro endereço que tenha a mesma concessionária e titularidade. Porém, existem outras formas de compartilhar a eletricidade gerada por meio de fontes renováveis: a geração compartilhada e a geração em condomínios.

Geração compartilhada

A geração compartilhada, também regulada pela Aneel, permite a instalação de microgeração ou minigeração distribuída a partir de um investimento coletivo, por meio de cooperativas ou consórcios. Portanto, com esse sistema, todos os imóveis envolvidos podem utilizar uma parte da energia gerada para diminuir o valor da fatura de luz, como no autoconsumo remoto.

A Resolução Normativa 482/2012 não menciona predefinições para a formação de consórcio ou cooperativa para a geração compartilhada de energia solar. No entanto, foram emitidos dois pareceres pela Procuradoria Federal junto à Aneel:

  • a formação de consórcios deve seguir a Lei 6.404/76 e a Instrução Normativa da Receita Federal 1.634/2016, para inscrição no CNPJ, ou a Lei 11.795/2008. Assim sendo, o consórcio deve estar no nome da pessoa jurídica responsável pela produção de energia ou a titularidade do local onde está instalado o sistema fotovoltaico deve estar no nome da administradora do consórcio;
  • toda criação de cooperativas deve respeitar as regras previstas nos artigos 1.093 a 1.096 do Código Civil, assim como na Lei 5.764/61.

É importante ressaltar que, para que seja caracterizada a geração compartilhada, o sistema de energia solar deve estar instalado em um local diferente dos imóveis consumidores dos créditos solares.

Geração em condomínios

A geração compartilhada pode atender também condomínios, pois os consumidores podem se reunir e instalar um sistema solar na área comum dos prédios. Assim, a energia solar produzida pode ser utilizada nos equipamentos do condomínio.

Se os painéis solares tiverem uma capacidade de geração suficiente, além das áreas comuns do condomínio, os apartamentos podem reduzir o valor da sua conta de luz com a energia produzida dentro do condomínio.

A grande diferença entre os sistemas de geração compartilhada e de geração em condomínios é que o segundo utiliza a energia solar de maneira individual para imóveis localizados no mesmo lugar da geração.

Vale lembrar que esse sistema não pode ser utilizado em vias públicas, aéreas ou subterrâneas, além de ter seu uso proibido para unidades que não estão dentro do condomínio em que a energia solar é produzida.

Conheça as principais vantagens do autoconsumo remoto

O autoconsumo remoto traz muitos benefícios para os consumidores. Um deles é poder adquirir um sistema solar, instalá-lo na sua fazenda, por exemplo, e fazer uso da energia gerada na sua casa ou empresa. Veja outras vantagens desse sistema.

Geração da própria energia

Se na sua empresa ou residência não existe um espaço adequado para instalar um sistema fotovoltaico, é possível instalar as placas solares em qualquer outro lugar. Dessa forma, você pode aproveitar uma área que pode estar subutilizada para a geração de energia solar e, com isso, abastecer outras unidades consumidoras.

O Hotel Dom Rafael e outras empresas de Santa Maria (RS) e região, por exemplo, investiram em uma usina solar para autoconsumo remoto. No post abaixo, você confere imagens do local escolhido, de como a obra está ficando e da economia que o investimento proporcionará às empresas.

Redução de custos

Imóveis que produzem mais energia do que utilizam durante o mês podem usar os créditos solares em outra unidade consumidora ou armazená-los por um prazo de até 60 meses, caso precisem dessa energia em outro momento que consumirem mais luz.

Isso é muito recorrente no verão, quando a utilização de aparelhos de ar-condicionado intensifica o consumo de energia elétrica. Dessa forma, com créditos solares, é possível economizar na estação mais quente do ano, mesmo com o uso constante de equipamentos de resfriamento.

Mais sustentabilidade

A preservação do meio ambiente é um dos benefícios do autoconsumo remoto. A produção de energia solar proporciona a redução da poluição e da emissão de carbono. Afinal, esse sistema é considerado limpo quando comparado, por exemplo, a usinas termelétricas, as quais geram energia por meio da queima do carvão mineral.

Investimento acertado

A redução do preço da conta de luz ao investir em um sistema de autoconsumo remoto é de até 95% e é imediata. Você só precisa pagar a taxa mínima obrigatória da concessionária. Além disso, o único custo envolvido no uso do sistema solar, depois da compra, é a limpeza periódica dos painéis, que deve ser feita uma vez por ano.

Ao levar em consideração o fato de que a fonte da energia solar é gratuita, é possível dizer que os usuários dessa alternativa terão uma grande economia no seu orçamento mensal.

O investimento em um sistema gerador de energia solar de autoconsumo remoto é otimizado, já que você vai adquirir e instalar um projeto com uma potência maior de produção. No mais, a instalação de vários projetos menores ficaria mais caro. Portanto, quem não tem uma área suficiente para colocar o sistema no seu imóvel, pode instalar em outra localização.

Além disso, também é possível gerar negócios a partir do autoconsumo remoto e da energia compartilhada. Uma pessoa que possui imóveis que geram eletricidade por meio de um sistema fotovoltaico pode cobrar essa energia dos seus inquilinos pelo uso do sistema.

Isso é vantajoso para ambos os lados, pois, para os inquilinos, fica mais barato do que pagar pela eletricidade convencional, já que não há incidência de taxas ou variação por bandeiras. Já os proprietários podem lucrar com seus sistemas de produção e distribuição solar, além de usufruírem da energia produzida pelo sistema.

Geração de mais energia solar que um sistema fotovoltaico com sombreamento

Propriedades localizadas em lugares com muita incidência de sombra podem não gerar energia solar suficiente para seu consumo. Com o autoconsumo remoto, é possível instalar os painéis solares em um espaço aberto e sem sombras, para que os créditos solares sejam utilizados em outro imóvel.

Um dos fatores fundamentais para a geração de energia fotovoltaica é a irradiação solar. Por esse motivo, quem mora ou tem uma empresa em locais com baixo índice de irradiação pode instalar o sistema em um terreno com menos sombreamento e, consequentemente, produzir mais energia.

Por exemplo, você pode instalar o sistema solar em uma fazenda ou na sua casa de praia, lugares que proporcionam uma irradiação solar mais alta, e utilizar a energia produzida lá para abastecer sua residência ou empresa. Basta que os imóveis tenham o abastecimento feito pela mesma concessionária e estejam registrados no mesmo CPF ou CNPJ. Assim, você pode otimizar o seu retorno financeiro e gerar mais energia!

O autoconsumo remoto acaba com os problemas de propriedades e imóveis muito pequenos, mas que, mesmo assim, querem produzir energia solar por razões financeiras e ambientais, gerando energia limpa e renovável mesmo quando a unidade consumidora não tiver o sistema.

Possibilidade de contar com incentivos fiscais

Muitos estados do Brasil concedem incentivos fiscais, sejam públicos ou oriundos de instituições financeiras privadas, para a aquisição de sistemas geradores de energia fotovoltaica, como isenções tributárias — o que aumenta a rentabilidade desse sistema de produção de energia. Além disso, você pode contar com várias opções de financiamento para adquirir seu sistema solar.

Transformação da conta de luz em uma despesa fixa e previsível

Como você já sabe, um sistema de energia solar pode reduzir seus gastos com eletricidade em até 95%. Só não há como zerar a conta porque as distribuidoras cobram taxas mínimas para manutenção, que servem para a iluminação pública, por exemplo, mesmo que o consumo no imóvel seja completamente suprido pelo autoconsumo remoto.

Dessa forma, ao instalar as placas solares, o custo de energia elétrica se torna fixo e previsível, pois, se a geração de energia for suficiente para todo o consumo da residência ou empresa, você vai pagar apenas esses custos de manutenção.

Entenda o que considerar ao instalar energia solar

Agora que você já viu como funciona o sistema de autoconsumo remoto, é importante saber como é feita a instalação dos equipamentos para gerar energia solar e o que deve ser analisado antes da compra.

Consumo atual de energia

Para iniciar o planejamento de instalação do projeto de energia solar, deve ser feita uma análise do gasto com energia elétrica. É importante que esse passo seja realizado com o auxílio de uma empresa capacitada, pois isso vai determinar o número de painéis fotovoltaicos necessários para gerar energia suficiente para suas unidades consumidoras.

Para saber qual seria a área necessária para a instalação de um sistema de energia solar em sua casa ou empresa, bem como o quanto ele te permitiria economizar, acesse o nosso simulador online, gratuito e sem compromisso! É só clicar no botão abaixo.

Incidência do sol no terreno

Para produzir energia por meio de painéis fotovoltaicos, é necessária a captação de luz solar. Portanto, é importante verificar a incidência de sol e se há árvores ou outros obstáculos que possam fazer sombra na construção.

Outros aspectos fundamentais são a inclinação dos painéis e a orientação deles. Para obter o maior rendimento possível com a produção de energia, a instalação deve ser feita, quando for possível, orientada para o norte geográfico.

Se isso não for viável, eles podem ser colocados com orientação nordeste e noroeste, sem perdas significativas de rendimento. Porém, exceto na Região Norte do país, deve-se evitar a orientação para o sul, pois a produção pode ficar prejudicada.

Equipamentos necessários

Para que você entenda como acontece a instalação do sistema de energia solar, é necessário ter em mente quais são os principais equipamentos para isso. Veja mais sobre os componentes da geração de energia fotovoltaica a seguir.

Estrutura metálica

A fixação dos painéis solares na cobertura dos edifícios é feita por meio de estruturas metálicas dimensionadas especificamente para esses equipamentos. Elas são compostas por trilhos, que são fabricados para suportar intempéries, como ventos fortes e chuvas de granizo. Eles são bem presos e podem ser colocados em qualquer tipo de telhado.

Painéis solares

Os painéis fotovoltaicos são produzidos a partir de um material semicondutor e, por isso, são capazes de transformar a luz solar em energia elétrica. Eles são conectados entre si, formando uma fileira conhecida como string, que é conectada por meio de um cabeamento até a string box.

String box

A string box proporciona segurança para a parte em corrente contínua no sistema fotovoltaico. Seu sistema é composto por um quadro elétrico com um Dispositivo de Proteção contra Surtos (ou DPS), os fusíveis e a chave seccionadora. Esses elementos evitam que alguns problemas, como surtos e curtos elétricos, se espalhem pelo sistema gerador de energia e danifiquem os equipamentos.

Inversor solar

Os painéis solares geram eletricidade em corrente contínua, mas o padrão utilizado pelas distribuidoras de energia é a corrente alternada. Dessa forma, o inversor de frequência é o aparelho que faz essa transformação da corrente, o que possibilita seu uso na alimentação dos aparelhos domésticos.

Medidor bidirecional

Nos sistemas de energia solar conectados à rede, quando a produção de energia é maior do que o consumo do imóvel, o excedente é enviado para a distribuidora e registrado como crédito solar.

Como você já viu, esses créditos podem ser utilizados no futuro se a demanda for maior que a produção ou para gerar descontos na fatura energética. Isso só é possível por meio do medidor bidirecional, pois é ele que faz o registro de toda energia que sai e que chega na unidade consumidora.

Saiba como escolher a empresa mais adequada

Adquirir um sistema de geração de energia solar é uma ótima alternativa para quem quer economizar com o gasto de luz, seja em casa ou na empresa. Porém, antes de adotar esse sistema, é necessário tomar alguns cuidados na hora de projetar e instalar as placas solares.

Quando você decide fazer um investimento desse tipo, é preciso ter atenção na hora de escolher a empresa que será contratada para prestar o serviço e fornecer todos os equipamentos. Por isso, o primeiro passo é fazer uma boa pesquisa sobre o nível de qualidade e expertise de mercado da contratada.

É importante que você possa contar com um fornecedor que tenha domínio e credibilidade com equipamentos e projetos de energia fotovoltaica, uma vez que existem normas de segurança e regras ambientais que precisam ser cumpridas para que seu sistema gerador de energia solar opere da melhor maneira possível.

Se está precisando de uma ajudinha nesse aspecto, no link abaixo você encontra um vídeo que te dá 7 dicas para encontrar a empresa ideal!

No mais, a realização do cadastro e a aprovação do sistema na concessionária é um processo fundamental para o funcionamento do autoconsumo remoto, e é de responsabilidade do fornecedor escolhido.

Portanto, verifique se a empresa que você quer contratar já tem uma boa quantidade de projetos aprovados e de sistemas instalados com a sua distribuidora de energia. É essencial que seu sistema de energia solar seja composto de equipamentos de alta qualidade, já que é isso que vai garantir o tempo de vida de todas as peças e o retorno efetivo sobre o investimento.

Não esqueça de ficar atento para ter certeza de que todos os equipamentos que você comprará têm o selo de qualidade e a aprovação do Inmetro!

Em um país como o Brasil, em que as tarifas de energia elétrica sofrem constantes aumentos, sendo considerado um dos itens empresariais e domésticos que mais pesam no bolso dos brasileiros, ter uma possibilidade para economizar pode fazer toda a diferença.

O sistema de autoconsumo remoto atende às demandas de consumo de energia daqueles que possuem mais de um imóvel no seu nome, seja por meio do seu CPF ou do CNPJ da sua empresa. Por isso, não deixe de investir nessa alternativa e veja você mesmo como a sua conta de luz pode ser reduzida à taxa mínima.

Se você quer saber mais sobre a instalação de sistemas de energia solar em residências, confira este artigo e tire suas dúvidas!